segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O cesto furado e sujo

O cesto furado e sujo

Certa vez, em um mosteiro, um noviço chegou para o mestre e disse: “Padre mestre, penso que não tenho vocação. Não consigo guardar na memória o que leio na Bíblia, nem as palestras do senhor”.
O mestre não respondeu imediatamente a questão. Apenas disse ao jovem: “Pegue aquele cesto de junco, desça ao riacho, encha-o de água e traga aqui”.
O noviço olhou para o cesto, todo furado e sujo, e achou muito estranha a ordem. Mas obedeceu. Desceu ao riacho, encheu o cesto de água e começou a subir. Quando chegou até o mestre já não havia água, pois se escorreu toda pelos buracos.
O mestre lhe pediu que repetisse a viagem. O noviço voltou ao riacho, afundou o cesto na água, encheu-o e veio trazendo. Mas novamente chegou com o cesto vazio.
Então o mesmo perguntou: “Meu filho, o que você aprendeu? ” O rapaz respondeu na hora: “Que cesto de junco não transporta água”.
O mestre lhe disse: “Olhe para o cesto. Vê alguma diferença? ” O noviço olhou e disse com um sorriso: “Vejo que o cesto, que antes estava todo sujo e empoeirado, agora está limpo. Se a água não chegou aqui, pelo menos lavou o cesto! ”
O mestre concluiu: “Nada importa que você não consiga guardar na memória os textos bíblicos e as palestras; o importante é que a sua vida fique limpa diante de Deus”.
Em relação ao Evangelho, podemos dizer também: Importa obedecer às Leis de Deus, mesmo que não as entendamos na hora. Deus, o legislador, é mais inteligente que nós, e sabe que seus mandamentos, se não transportam água, pelo menos lavam o cesto.
Isabel elogiou a fé da sua prima Maria Santíssima: “Feliz aquele que acreditou, pois aquilo que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1,45). Maria nunca vacilou na fé, nem na hora mais difícil, que foi a cruz. Que ela nos ajude a crescer na fé.

Ignoro o autor

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O rio e o oceano



O rio e o oceano

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes,
 as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas
através dos povoados, e vê à sua frente
um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é
do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar
.Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.
Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar.

Coragem!

Avance firme e torne-se Oceano!

Osho


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Rei e o Mendigo



O Rei e o Mendigo
“...ela lançou mais do que todos... ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver...”
 (Mc 12, 41-44)
Uma vez... um certo rei que saiu na sua carruagem dourada a fim de percorrer a terra e observar as necessidades de seus súditos para poder satisfazê-las.
 Em um dado momento, veio ao seu encontro um mendigo, mal vestido e todo coberto de feridas. À beira da estrada, o velho gesto da mão estendida, prolongado no ar puro da manhã, a comovente súplica do olhar.
O rei era um homem de grandes posses, de infinita ternura e também de imensa sabedoria. Na sua opinião, ninguém é tão pobre que não tenha algo a dar, e ninguém é tão rico que nada tenha a receber. Por isso, ele disse ao mendigo, ao vê-lo de mão estendida:
— A minha esmola nascerá de sua própria generosidade, meu amigo. Eu multiplicarei por mil o que você me der. Apresente-me um dom de sua pobreza para que eu transforme em doação múltipla de minha riqueza.
Houve uma hesitação e surpresa por parte do mendigo. Ele não sabia o que fazer. Entretanto, o soberano esperava. Agora era o rei que estendia o braço, pedindo alguma coisa ao mendigo. Então, o pobre homem enfiou a mão no bornal cheio de trigo. Pensou em dar um punhado desse cereal.
"Mas o que o rei fará com estes grãos? Irá jogá-los fora, com certeza", pensou. Contudo, um punhado de trigo representava quase meio pão para saciar a sua fome. E o mendigo, ao pensar nisso, pegou só um grão de trigo, apenas um mísero grão de trigo, e estendeu para o rei.
O rei aceitou, sorrindo, aquela diminuta oferta. Depois, mandou que o mendigo abrisse novamente o bornal e nele jogou de volta o grão que acabara de receber. O pobre homem seguiu com os olhos atônitos a trajetória de seu grão e olhou dentro da sacola, ao vê-lo cair lá. Lá estava, brilhando muito, no meio dos outros grãos comuns, uma pequena pepita de ouro.
Num relance, o mendigo compreendeu o que tinha acontecido. Seu trigo ofertado ao rei, tinha se transformado em ouro ao ser-lhe restituído. Freneticamente ele mergulhou de novo a mão direita no bornal e, logo a seguir, a esquerda, retirou-as cheias de trigo e apresentou-as ao rei. Mas era tarde, a carruagem partia.
— Espere, espere! Eu posso dar mais, majestade! Eu posso dar tudo o que tenho no bornal! Mas a carruagem não parou. O rei não voltou. E o mendigo ficou chorando no meio da estrada com as duas mãos cheias de trigo, dizendo entre soluços, num arrependimento tardio: — Ah! Por que eu não dei tudo? Por que eu não dei tudo?
  
  Reflexão — Muitas pessoas têm muito a oferecer à comunidade, à sociedade, aos irmãos, e não o fazem. Têm medo de perder e, numa vida de avareza, mediocridade e egoísmo acabam fechando-se em si mesmas. A oferta da pobre viúva no templo
 (Mc 12,41-44) nos mostra até onde deve ir nossa doação. E Jesus, na parábola dos talentos (Mt 25,14-30), alerta-nos que os dons devem ser postos a serviço. Senão, se perdem... E você, que tipo de mendigo é? Você tem dado só um grão de trigo, ou muito mais? O que você tem feito com seus talentos? Pense nisso...   
   Autor desconhecido

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Parábola da Rosa


Parábola da rosa
Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente.
Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou,
“Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados? ”
Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa e, antes mesmo de estar pronta para desabrochar, ela morreu.
Assim é com muitas pessoas.
Dentro de cada alma há uma rosa: são as qualidades dadas por Deus.
Dentro de cada alma temos também os espinhos: são as nossas falhas.
Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos.
Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior.
Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós e, consequentemente, ele morre.
Nunca percebemos o nosso potencial.
Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas mesmas.
Portanto alguém mais deve mostrar a elas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.
Esta é a característica do amor.
Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras falhas.
Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.
Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos.
Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.
Portanto sorriam e descubram as rosas que existem dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam.
  Desconheço o autor

domingo, 4 de setembro de 2016

O sábio do Egito



O Sábio do Egito
Conta-se que no século passado um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
Lá chegando, o turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
– Onde estão seus móveis? – Perguntou o turista.
E o sábio, mais que depressa, perguntou-lhe também:
– E onde estão os seus…?
– Os meus?! – Surpreendeu-se o turista – Mas eu estou aqui só de passagem!
– Eu também… – concluiu o sábio.
A vida na Terra é somente uma passagem. No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente e se esquecem de ser felizes.
Autor: Desconhecido
Pense nisso e viva melhor!
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Desconheço autor


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A morada no Céu




A morada no Céu
                  Um homem muito rio morreu e foi recebido no céu. O anjo guardião levou-o por várias alamedas e foi mostrando-lhe as casas e moradias. 
Passaram por uma linda casa com belos jardins.
O homem perguntou: - Quem mora aí?
 O anjo respondeu: - É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado. 
O homem ficou pensando:
 Puxa! O Raimundo tem uma casa dessas! Aqui deve ser muito bom!
 Logo a seguir surgiu outra casa ainda mais bonita.
- E aqui, quem mora? Perguntou o homem.
O anjo respondeu: - Aqui é a casa da Rosalina, aquela que foi sua cozinheira. 
O homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências,
 sua morada deveria ser no mínimo um palácio. Estava ansioso por vê-la. 
Nisso o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas e disse:
 - Esta é a sua casa! O homem ficou indignado.
 - Como é possível! Vocês sabem construir coisa muito melhor.
 - Sabemos - respondeu o anjo - mas nós construímos apenas a casa. 
O material são vocês mesmos que selecionam e nos enviam lá de baixo. 
Você só enviou isso!

Moral da história: Cada gesto de amor e partilha é um tijolo com o qual 
construímos a eternidade. 
Tudo se decide por aqui mesmo, nas escolhas e atitudes de cada dia.
 Não devemos dizer a Deus que temos grandes problemas, 
mas dizer aos problemas que temos um grande Deus.
Autor desconhecido

domingo, 14 de agosto de 2016

A Galinha


                   A Galinha



 Numa granja, uma galinha se destacava entre todas as outras por seu espírito de aventura e ousadia. Não tinha limites e andava por onde queria. O dono, porém, estava aborrecido com ela. Suas atitudes estavam contagiando as outras, que já a estavam copiando.
Um dia o dono fincou um bambu no meio do campo, e amarrou a galinha a ele, com um barbante de dois metros. O mundo tão amplo que a ave tinha foi reduzido a exatamente onde o fio lhe permitia chegar. Ali, ciscando, comendo, dormindo, estabeleceu sua vida. De tanto andar nesse círculo, a grama dali foi desaparecendo. Era interessante ver delineado um círculo perfeito em volta dela. Do lado de fora onde a galinha não podia chegar, a grama verde, do lado de dentro, só terra. 

Depois de um tempo, o dono se compadeceu da ave, pois ela, tão inquieta e audaciosa, era agora uma apática figura. Então a soltou. 
Agora estava livre! Mas, estranhamente, a galinha não ultrapassava o círculo que ela própria havia feito. Só ciscava dentro do seu limite imaginário. Olhava para o lado de fora mas não tinha coragem suficiente para se aventurar a ir até lá. E assim foi até o seu fim. 

Nascemos tendo nossos horizontes como limite, mas as pressões do dia-a-dia fazem com que aos poucos nossos pés fiquem presos a um chão chamado rotina. Há pessoas que enfrentam crises violentas em suas vidas, sem a coragem de tentar algo novo que seja capaz de tirá-las daquela situação. Admiram os que têm a ousadia de recomeçar, porém, elas próprias buscam algum culpado e vão ficando dentro do seu "círculo". 

Pois bem: “Esforça-te e tem bom ânimo, não temas, nem se espantes. Porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” (Josué 1:9)

Não deixe que as pressões e problemas do dia-a-dia o sufoquem a ponto de não avançar. Confie em Deus e siga em frente.


Desconheço autor                                                                                         

domingo, 31 de julho de 2016



Olhe
Quando estiver em dificuldade, e pensar em desistir,
lembre-se dos obstáculos que já superou.
OLHE PARA TRÁS.
Se tropeçar e cair, levante, não fique prostrado,
esqueça o passado.
OLHE PARA FRENTE.
Ao sentir-se orgulhoso, por alguma realização pessoal, sonde suas motivações.
OLHE PARA DENTRO.
Antes que o egoísmo o domine, enquanto seu coração é sensível,
socorra os que o cercam.
OLHE PARA OS LADOS.
Na escalada rumo às altas posições no afã de concretizar seus sonhos,
Observe se não está pisando  EM ALGUÉM.
OLHE PARA BAIXO.
Em todos os momentos da vida, seja qual for sua atividade,
busque a aprovação de Deus!
OLHE PARA CIMA.
“Nunca se afaste de seus sonhos, pois se eles se forem,
você continuará vivendo, mas terá deixado de existir.

Charles Chaplin

quinta-feira, 21 de julho de 2016


Flor Amarela

Um dia observando um terreno baldio, fiquei comovido ao identificar em meio a várias ervas daninhas um linda flor de cor amarela.

Não era difícil percebê-la, sua cor e forma contrastavam  com as ervas de coloração verde que a rodeavam.
Durante alguns minutos essa súbita observação suscitou em mim uma série de reflexões: pensei no quanto estamos em um mundo difícil de se viver e no quanto é importante a gente não se deixar sufocar pelos problemas.
            Conclui que por mais que o mundo esteja cheio de ervas daninhas, nós não temos que nos tornar uma delas... Não importa qual sejam as dificuldades haverá sempre flores amarelas...
            Quando deixamos de percebê-las é porque a pretensão de achar que sabemos tudo nos tapa os olhos.
            Nisso, perdemos um pouco da nossa identidade e passamos a achar o nosso lugar ruim de viver. Invejamos o jardim vizinho.
            Achamos que seríamos mais felizes com uma outra casa, carro, emprego... Vã ilusão! Poucos são os jardins onde não existem ervas daninhas.
            O que torna uns mais belos que os outros é tão somente a maneira como observamos e a capacidade que temos, ou não, de identificar as flores em meio às ervas daninhas.

Autor desconhecido

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O caldeireiro





O CALDEIREIRO

     Um caldeireiro foi contratado para consertar um enorme sistema de caldeiras de um navio a vapor que não estava funcionando bem.
 Após escutar a descrição feita pelo engenheiro quanto aos problemas e de haver feito umas poucas perguntas, dirigiu-se à sala de máquinas.   Olhou, durante alguns instantes, para o labirinto de tubos retorcidos.
 A seguir, pôs-se a escutar o ruído surdo das caldeiras e o silvo do vapor que escapava. Com as mãos apalpou alguns tubos. Depois, cantarolando suavemente só para si, procurou em seu avental alguma coisa e tirou de lá um pequeno martelo, com o qual bateu apenas uma vez em uma válvula vermelha. Imediatamente, o sistema inteiro começou a trabalhar com perfeição e o caldeireiro voltou para casa. 
      Quando o dono do navio recebeu uma conta de R$ 2.000,00 queixou-se de que o caldeireiro só havia ficado na sala de máquinas durante quinze minutos e solicitou uma conta pormenorizada.

      Eis o que o caldeireiro lhe enviou:
Total ................: R$ 2.000,00
Martelada ..........: R$       0,50
Onde martelar ....: R$ 1.999,50

Desconheço o autor


domingo, 19 de junho de 2016

Homem do penhasco



Homem do penhasco

Contam que Deus, um dia, marcou um encontro com um homem muito religioso no alto de uma montanha sagrada. O homem se preparou para o encontro com muito recolhimento, oração, jejum e, no dia determinado, subiu a montanha cheio de fervor.
O caminho era íngreme, a subida estava levando muito tempo, e o homem começou a ter medo de perder a hora marcada. Rogou a Deus que lhe desse forças para não chegar atrasado. Aí, viu um homem caído na beira do penhasco, machucado e pensou: "Estou atrasado, depois eu volto para socorrê-lo."
Ao chegar no topo da montanha, esperou, esperou, e Deus nada de aparecer. Que pena! Pensou ele desolado, por que não subi mais depressa?
Desceu desanimado...
Ao passar pelo penhasco, não viu mais o homem caído, mas havia um bilhete junto à rocha, que dizia:
- Quem sabe outro dia, quando estiver menos apressado, você consiga me reconhecer!
Desconheço o autor

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Seguindo o amor


Seguindo o Amor

Quando o amor acenar, siga-o ainda que
por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele, ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.
E quando ele falar a você, acredite no que ele diz, ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos, assim como o vento norte
 devasta o jardim.
Pois, se o amor coroa, ele também o crucifica.
Se o ajuda a crescer, também o diminui.
Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos mais tenros que tremem ao sol, também o faz descer às raízes e abala sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torná-lo branco.
Amassa-o, até deixá-lo macio e, então, submeta-o ao fogo para que se transforme em pão, no banquete sagrado de Deus.
Todas essas coisas pode o amor fazer para que você conheça os segredos de seu coração e, com esse conhecimento, se torne um fragmento do coração da VIDA.
                                       Khalil Gibran

domingo, 15 de maio de 2016


POR QUE AS PESSOAS SOFREM? 



— Vó, por que as pessoas sofrem?
— Como é, minha neta?
— Por que as pessoas grandes vivem bravas, irritadas, sempre preocupadas com alguma coisa?
— Bem, minha filha, muitas vezes porque elas foram ensinadas a viver assim.
— Vó...
— Oi...
— Como é que as pessoas podem ser ensinadas a viver mal? Não consigo entender. Na minha escola a professora só me ensina coisas boas.
— É que elas não percebem que foram convencidas a ser infelizes, e não conseguem mudar o que as torna assim. Você não está entendendo, não é, meu amor?
— Não, Vovó.
— Você lembra da estorinha do Patinho Feio?
— Lembro.
— Então... o Patinho se considerava feio porque era diferente. Isso o deixava muito infeliz e perturbado. Tão infeliz, que um dia resolveu ir embora e viver sozinho. Só que o lago que ele procurou para nadar havia congelado e estava muito frio. Quando ele olhou para o seu reflexo no lago, percebeu que ele era, na verdade, um maravilhoso cisne. E, assim, se juntou aos seus iguais e viveu feliz para sempre.
— O que isso tem a ver com a tristeza das pessoas?
— Bem, quando nascemos, somos separados de nossa Natureza-cisne. Ficamos, como patinhos, tentando aceitar o que os outros dizem que está certo. Então, passamos muito tempo tentando virar patos.
— É por isso que as pessoas grandes estão sempre irritadas?
— É por isso! Viu como você é esperta?
— Então, é só a gente perceber que é cisne que tudo dará certo?
— Na verdade, minha filha, encontrar o nosso verdadeiro espelho não é tão fácil assim. Você lembra o que o cisnezinho precisava fazer para poder se enxergar?
—O que?
— Ele primeiro precisou parar de tentar ser um pato. Isso significa parar de tentar ser quem a gente não é. Depois, ele aceitou ficar um tempo sozinho para se encontrar.
— Por isso ele passou muito frio, não é, vovó?
— Passou frio, fome e ficou sozinho no inverno.
— É por isso que o papai anda tão sozinho e bravo?
— Não entendi, minha filha?
— Meu pai está sempre bravo, sempre quieto com a música e a televisão dele. Outro dia ele estava chorando no banheiro...
— Vó, o papai é um cisne que pensa que é um pato?
— Todos nós somos, querida. Em parte.
— Ele vai descobrir quem ele é de verdade?
— Vai, minha filha, vai. Mas, quando estamos no inverno, não podemos desistir, nem esperar que o espelho venha até nós. Temos que exercer a humildade e procurar ajuda até encontrarmos.
— E aí viramos cisnes?
— Nós já somos cisnes. Apenas temos que deixar que o cisne venha para fora e tenha espaço para viver e para se manifestar.
— Aonde você vai?
— Vou contar para o papai o cisne bonito que ele é!
A boa vovó apenas sorriu!

Autor desconhecido