segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A balança


                             
                             A balança...

Quando menino eu vivia brigando com Beto, meu melhor amigo Beto. 
Um dia, quando corri para casa e procurei mamãe para queixar-me. 
Ela me ouviu e disse o seguinte:
- Vai buscar a sua balança e os blocos.
- Mas, o que tem isso a ver com o Beto? 
- Você verá... Vamos fazer uma brincadeira. Primeiro vamos colocar neste prato da balança um bloco para representar cada defeito do Beto. Conte-me quais são. 
- Fui relacionando-os e certo número de blocos foi empilhado daquele lado. 
- Você não tem nada mais a dizer? 
Eu não tinha e ela propôs: Então você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será um bloco no outro prato da balança. 
Ele não deixa você andar em sua bicicleta? 
Não reparte o seu doce com você? 
Ela foi colocando os blocos do outro lado. 
De repente eu percebi que a balança balançava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do Beto.
Dei uma risada e mamãe observou:
Você gosta do Beto e ficou alegre por verificar que as suas boas qualidades ultrapassam os seus defeitos. Isso sempre acontece, conforme você mesmo vai verificar ao longo de sua vida.

E de fato. Através dos anos aquele pequeno incidente de pesagem tem exercido importante influência sobre meus julgamentos. Antes de criticar uma pessoa, lembro-me daquela balança e comparo seus pontos bons com os maus. E, felizmente, quase sempre há uma vantagem compensadora, o que fortalece em muito a minha confiança nas pessoas.

Desconheço o autor      

domingo, 19 de novembro de 2017

Dois lagos, duas filosofias, uma vida


Dois lagos, duas filosofias uma vida

  Na Terra Santa há dois lagos alimentados pela mesma fonte: o Rio Jordão. Ficam situados a alguns quilómetros de distância um do outro, mas ambos possuem características bem distintas entre si.

       Um é o Lago de Genesaré, também conhecido como Mar da Galileia ou Lago de Tiberíades. O outro é o chamado "Mar Morto".

      O primeiro é azul, cheio de vida e de contrastes, de calma e de ondas. Nas suas margens refletem-se as flores amarelas dos seus prados. O Mar Morto é uma lagoa densa e de água salgada, em que não há vida. A água que vem do rio, ali fica estagnada.

      O que é que faz destes dois lagos, alimentados pelo mesmo rio, lagos tão diferentes? Simplesmente isto: o Lago de Genesaré transmite generosamente o que recebe. A sua água, quando ali chega, parte de imediato para remediar a seca dos campos. É uma água altruísta. A água do Mar Morto estagna-se. Adormece, é salgada, pesada, mata. É uma água egoísta, estagnada, inútil.

     Com as pessoas passa-se o mesmo: recebem a vida da mesma fonte, mas as que vivem com generosidade, dando-se e oferecendo-se aos outros, geram vida e fazem viver. Pelo contrário, as pessoas que, com egoísmo, recebem, guardam e não dão, são como água estagnada, que morre e causa a morte à sua volta.

     Muitas pessoas parecem-se com o Mar Morto: só recebem, acumulam, não dão, e assim constroem uma vida amarga e infeliz. São extremamente salgadas, intragáveis.

     Há outras, porém, que dão e se oferecem a si mesmas com generosidade e sem nada esperar como recompensa... Estas são as pessoas mais felizes do mundo. Quanto menos partilhamos mais pobres nos tornamos. Quanto mais nós damos, mais recebemos.

    O que acumula apenas para si, chama desesperadamente pela infelicidade e esta vem ter com ele. Recebe de graça e não reparte, acumula só para si e apodrece.
Pode até perder agora, na vida presente, mas colherá na eternidade... O    que partilha, abre a porta à felicidade...  
Desconheço o Autor