A balança...
Quando menino eu vivia brigando com Beto, meu melhor amigo Beto. Um dia, quando corri para casa e procurei mamãe para queixar-me. Ela me ouviu e disse o seguinte:
- Mas, o que tem isso a ver com o
Beto?
- Você verá... Vamos fazer uma brincadeira.
Primeiro vamos colocar neste prato da balança um bloco para representar cada
defeito do Beto. Conte-me quais são.
- Fui relacionando-os e
certo número de blocos foi empilhado daquele lado.
- Você não tem nada mais
a dizer? Eu não tinha e ela propôs: Então
você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será um bloco no
outro prato da balança. Ele não deixa você andar em sua bicicleta? Não reparte
o seu doce com você? Ela foi colocando os blocos do outro lado. De repente eu
percebi que a balança balançava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do
Beto.
Dei uma risada e mamãe
observou:
Você gosta do Beto e
ficou alegre por verificar que as suas boas qualidades ultrapassam os seus
defeitos. Isso sempre acontece, conforme você mesmo vai verificar ao longo de
sua vida.
E de fato. Através dos
anos aquele pequeno incidente de pesagem tem exercido importante influência
sobre meus julgamentos. Antes de criticar uma pessoa, lembro-me daquela balança
e comparo seus pontos bons com os maus. E, felizmente, quase sempre há uma
vantagem compensadora, o que fortalece em muito a minha confiança nas pessoas.
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