quarta-feira, 22 de abril de 2015

O Falcão solidário


O falcão solidário

Certa vez, o sr. Antônio entrou na igreja para rezar. Seus olhos pousaram sobre uma velha coruja que estava empoleirada dentro de uma fresta da parede. No dia seguinte, na mesma hora, a ave ainda estava lá. No terceiro dia a mesma coisa. Antônio aproximou-se para observar e viu
 que ela era cega.

Ah, agora entendo, pensou ele, por que esta pobre ave não abandona este buraco escuro e não se mexe. É cega! Sabe lá como faz para se alimentar.
Nisso chegou um falcão e pousou perto da velha coruja. Trazia no bico uma pequena cobra. Começou a despedaçá-la e dar as partes à coruja.
Sr. Antônio começou a raciocinar e tirar as conclusões: Eu não valho mais que uma coruja cega aos olhos de Deus? pensou ele. E decidiu abandonar o seu trabalho de sapateiro, confiando 
que Deus iria cuidar dele.
Foi sentar-se na porta da igreja. Esperava que as pessoas que passavam deixassem cair esmolas em sua mão estendida.
Um de seus amigos o reconheceu e perguntou: “Oh, sr. Antônio! O que foi que lhe aconteceu?” Como resposta, o sapateiro contou a história e concluiu: “Não seria aquilo uma chamada do céu, um sinal da vontade de Deus?”
Mas o amigo lhe disse: “Tenho certeza de que você não entendeu o que Deus lhe quis dizer. Se ele fez você presenciar a cena, não o fez para você aprendeu a ser como a coruja, mas como a falcão que se coloca a serviço de um ser necessitado. Diante de Deus, realmente somos como aquela coruja, ele cuida de nós.
 Mas diante do próximo devemos ser como o falcão”. 
Deus nos chama de várias formas, basta estarmos atentos à sua maneira de tocar o nosso coração. Mas precisamos estar embebidos do seu amor.

                                                (Fonte: Cláudia Regina)


Monge iracível

Monge irascível quer vencer


Havia, certa vez, um monge que, após vários anos de vida no mosteiro, conseguiu muitas vitórias. Orava e meditava horas inteiras, as mãos tornaram-se calejadas devido ao trabalho rude no campo, as paixões iam amortecendo pouco a pouco...

        Somente um defeito resistia a todos os esforços: seu gênio irascível. Por um nada ele se enraivecia. Se um confrade, ao colher espigas no campo, deixava uma para trás, ele já se irritava. Se, na capela, alguém desafinava ao cantar, dava-lhe uma cotovelada.

Um dia, em conversa com seu superior, disse que não suportava o jeito dos colegas. Eles o irritavam demais. Preferia morar sozinho. Como experiência, foi-lhe permitido viver no deserto.

Fez lá sua cabana e sentiu-se feliz. Pelo menos na primeira noite. No dia seguinte, ao buscar água na cisterna, o balde virou, derramando toda a água. “Paciência”, disse consigo. Tirou nova água e foi caminhando para a cabana.

Ao abaixar-se na porta, o balde virou-se de novo. “Maldito”, exclamou impaciente. Voltou ao poço, encheu o balde pela terceira vez e enfrentou o caminho de volta. Já nervoso como estava, tropeçou e caiu com balde e tudo, enquanto a língua despejava uma enxurrada de palavrões.

Passou o dia rezando e refletindo. À noite, concluiu: Agora eu sei onde está o defeito. Não é nos meus confrades do mosteiro, mas em mim.

Eu é que devo mudar de gênio. O inimigo está dentro de mim, não nos outros. Vou voltar para o mosteiro e começar tudo de novo
                                                                              (Fonte: Pe. Clóvia de Jesus Bovo)