sábado, 28 de fevereiro de 2015

O Messias


O Messias
Meditando em sua caverna no Himalaia, o Guru abriu os olhos e descobriu um
visitante inesperado sentado diante dele - o abade de um mosteiro muito conhecido.

__ O que procura? __ perguntou o Guru.
O
 abade desfiou seus infortúnios. Antigamente o mosteiro fora famoso em todo o mundo ocidental. Suas celas estavam sempre cheias de jovens aspirantes e o templo ressoava com o cântico dos monges. Mas tempos árduos haviam chegado para o mosteiro. As pessoas não mais afluíam para ali nutrir o espírito, a torrente de jovens aspirantes secara, o templo estava silencioso. Só restava um punhado de monges e estes cumpriam suas tarefas com o coração pesado.
O
 que o abade queria saber era o seguinte:

__ É por causa de algum pecado que cometemos que o mosteiro foi reduzido a esse estado?
__ Sim __ respondeu o Guru __, um pecado de ignorância.

__ E que pecado é esse?
__ Um dentre vocês é o Messias disfarçado e vocês ignoram isso. Tendo dito isso, o Guru fechou os olhos e voltou à sua meditação.
D
urante toda a dura viagem de volta ao mosteiro, o coração do abade batia forte com o pensamento de que o Messias _ o Messias em pessoa - voltara à terra e estava bem ali no mosteiro. Com é que deixara de reconhecê-lo? E quem seria ele? O Irmão Cozinheiro? O Irmão Sacristão? O Irmão Tesoureiro? O Irmão Prior? Ah, ele não, ele tinha muitos defeitos. Mas então, o Guru dissera que ele estava disfarçado. Seriam aqueles defeitos um dos disfarces? Pensando bem, todos no mosteiro tinham defeitos. E um deles tinha de ser o Messias!
D
e volta ao mosteiro, reuniu os monges e contou-lhes o que descobrira. Olharam uns para os outros com incredulidade. O Messias? Aqui? Incrível! Mas supunha-se que ele estava aqui disfarçado. Assim, quem sabe. E se fosse fulano? Ou aquele outro? Ou...
U
ma coisa era certa: Se o Messias estava ali disfarçado, não era provável que o reconhecessem. Por isso começaram a tratar todos com respeito e consideração.

__ Nunca se sabe __ diziam a si mesmos, quando tratavam uns com os outros __, talvez seja este.O resultado disso foi que o ambiente no mosteiro tornou-se vibrante de alegria. Logo, dezenas de aspirantes estavam procurando ser admitidos à Ordem Monástica - e mais uma vez o templo ressoava com os cânticos sagrados e jubilosos dos monges que estavam vivendo no espírito do Amor.
                                                                                                           
Autor desconhecido

A semente da maçã



A Semente da maçã

Certa vez, na antiguidade, um homem foi surpreendido roubando alimentos em um  mercado, e por isso foi condenado à forca. Até o dia da execução, o condenado foi encerrado em uma masmorra escura.
No dia da execução, os guardas conduziram-no até o cadafalso e lhe perguntaram se gostaria de dizer algo antes de morrer. Ele disse:
“Diga ao rei que tenho algo muito valioso que recebi de presente de meu pai, que havia ganhado de meu avô. É uma semente de maçã que, se plantada, em um dia é capaz de tornar-se uma árvore robusta e produzir saborosas maçãs. Dá-me pena que algo tão especial vá comigo para o túmulo. Sendo assim, quero presentear o rei com a semente”.
Uma vez informado, o rei consentiu em receber o prisioneiro. Depois de escutá-lo, deu-lhe consentimento para que plantasse a semente mágica antes de ser enforcado. Mas o réu explicou:
“Acontece que a semente só pode ser plantada por alguém que nunca tenha roubado nem sido desonesto. Isso me exclui”.
O rei convocou seu primeiro ministro para plantar a semente. Mas este, envergonhado, admitiu que uma vez se apropriara de algo que não era seu.
O rei mandou chamar seu tesoureiro. Este ficou vermelho ao confessar que algumas vezes não havia lidado honestamente com as contas do reino. “Em minha opinião, majestade, vós é que devíeis plantar a semente”, sugeriu o tesoureiro.
Como os ministros, também o rei sentiu o sangue subir à cabeça. Lembrou-se das vezes que tinha sido infiel à rainha, sua esposa. Por isso lhes anunciou, cabisbaixo, que também ele não poderia plantar a semente.
“Os senhores são as pessoas mais poderosas do reino”, disse o prisioneiro. “No entanto, nenhum está livre do erro. E eu, um faminto que roubei um pouco de comida, devo enfrentar a forca?” E o rei libertou aquele pobre ladrão.
“Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra!”
 (Jo 8,1-11).
 Pe. Queiroz