sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A criação é um livro de sinais


A criação é um livro de sinais

Manuel Eduardo Iglesias, SJ


Tu, meu Deus, sílabas a alva igual
que uma palavra,
pronuncias o mar como sentença,
sussurras o vento,
cantas os pássaros, soletras as estrelas,
dizes  o amor,
falas: Jesus Cristo,
articulas meu ser.

Tu manifestas tua glória,
- rosto do teu amor-,
ansioso de nos comunicar a beleza infinita do SER
que a minha pequenez não pode conter.

Um dia capto apenas uma nota e vibro.
Outro dia, um gemido e choro.
Outro, uma melodia e pulo de alegria.
E Tu, com paciência, esperas
que eu consiga abrir os olhos da alma!

Não cansas de bater na porta dos meus
ouvidos ensurdecidos;
tocar minha sensibilidade adormecida;
oferecer o sabor de uma vida verdadeiramente humana.

Tarde te amei,
Ó Beleza tão antiga e tão nova!

Como, Senhor, seria maravilhoso
aguçar meus sentidos e absorver
tudo o que minha pequenez puder captar do infinito.
Só assim poderei passar para os outros o dom que é palavra
revelando o quanto cada pessoa é preciosa aos Teus olhos.

Fala para nós, Senhor, cada dia,
 aquela palavra eficaz:

EFATÁ!
ABRE-TE!


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Jumento



O JUMENTO


Um jumentinho, voltando para sua casa, todo contente, fala para sua mãe:
_ Fui a uma cidade, e, quando lá cheguei, fui aplaudido, por uma multidão que gritava alegre, estendia seus mantos pelo chão. Todos estavam contentes com minha presença.
Sua mãe questionou se ele estava só... E o burrinho disse:

_ Não, estava levando um homem com o nome de JESUS.

Então sua mãe falou:

_ Filho, volte a essa cidade, mas agora sozinho.

Quando retornou a essa cidade sozinho, todos que passavam por ele fizeram o inverso, maltratavam, xingavam e até mesmo batiam nele. Voltando para sua casa, disse a sua mãe:

_ Estou triste, pois nada aconteceu comigo. Nem palmas, nem mantos, nem honra... Só apanhei, fui xingado e maltratado. Eles não me reconheceram, mamãe...

Indignado, o burrinho perguntou a sua mãe:

_ Por que isso aconteceu comigo?

Sua mãe respondeu:


_ Meu filho querido, você sem JESUS é só um jumento.


Seleção de Lola Prata

Bragança Paulista/SP

Publicado no Almanaque Santo Antônio /2013



domingo, 20 de outubro de 2013

Solte a panela


Solte a panela

Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.


Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.   Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina...
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.

Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.  Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.

Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.

O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.

Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.

Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.

Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.

Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.

Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.

Solte a panela!

Autor desconhecido