A Cidade dos Resmungos
Um dia chegou à
cidade um vendedor ambulante carregando um enorme cesto às costas. Ao perceber
toda aquela inquietação e choradeira, pôs o cesto no chão e gritou:
— Ó cidadãos deste
belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de
frutas. As cordilheiras são cobertas de florestas espessas, e os vales banhados
por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado com tantos benefícios e
tamanha abundância. Por que tanta insatisfação? Aproximem-se, e eu
mostrar-lhes-ei o caminho para a felicidade.
Ora, a camisa do
vendedor ambulante estava rasgada e puída. Havia remendos nas calças e buracos
nos sapatos. As pessoas riram ao pensar que alguém como ele pudesse
mostrar-lhes como ser feliz. Mas, enquanto riam, ele puxou uma corda comprida
do cesto e esticou-a entre dois postes na praça da cidade.
Então, segurando o
cesto diante de si, gritou:
— Povo desta
cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam os seus problemas num
pedaço de papel e ponham-no dentro deste cesto. Trocarei os vossos problemas
por felicidade!
A multidão
aglomerou-se ao seu redor. Ninguém hesitou diante da oportunidade de se livrar
dos problemas. Todos os homens, mulheres e crianças da vila rabiscaram a sua
queixa num pedaço de papel e lançaram-no no cesto.
Observaram o vendedor
que pegava em cada problema e o pendurava na corda. Quando terminou, havia
problemas a tremularem em cada polegada da corda, de um extremo a outro.
Disse então:
— Agora cada um de
vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar.
Todos correram para
examinar os problemas. Procuraram, manusearam os pedaços de papel e ponderaram
cada qual tentando escolher o menor problema. Ao fim de algum tempo, a corda
estava vazia.
Eis que cada um
segurava o mesmíssimo problema que tinha colocado no cesto. Cada pessoa havia
escolhido o seu próprio problema, achando ser ele o menor de todos.
Daí por diante, o
povo daquela cidade deixou de resmungar constantemente. E sempre que alguém
sentia o desejo de resmungar ou de reclamar, pensava no vendedor e na sua corda
mágica.
William J. Bennett
O Livro das Virtudes II

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