quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os dois Potes


Havia dois grandes potes que, num canto do quintal, falavam entre si:
-Ah! Que tédio! Que vida! Viver aqui, exposto a tudo, sol, vento.chuva,calor... por mais que eu me proteja, como sobreviverei? Aqui estou, perfeitamente tampado, lacrado para proteger-me e ainda assim sinto-me, vazio. Não vejo graça em estar aqui.
Tranquilamente retrucava o outro pote:
- Veja, eu me encontro aqui, aberto, nada me protege a boca, ou melhor, o meu interior. Cai a chuva, eu a recebo. Vem o vento, eu o sinto bem dentro de mim. Vem o sol e me leva as gotinhas que retornam para o céu. E nem por isso me sinto ameaçado...
- Ora, grandes vantagens! Seu interior não guarda mais a cor original como o meu, sua cor é da vez mais diferente. Você não é mais o mesmo!
Sim, e isso me alegra, o meu interior se t4ransforma a cada dia, à medida que novas coisas me penetram. Posso sentir cada criatura que me visita e cada uma delas deixa algo de si para im, assim como deixo para elas um pouco de minha cor.
- É, mas você não tem mais paz. A todo instante, você é solicitado, carregam você todos os dias para levar água, ao passo que eu permaneço no meu lugar. Ninguém me incomoda. Quando se aproximam, já sei que é você que eles querem.
- Sim, se solicitam é porque tenho algo a dar, e o que dôo não é diferente do que você pode dar. Deixo-me encher pela água que cai da chuva, tanto sobre mim quanto sobre você. Encho-me até transbordar. Outros seres precisam desta água e eu sirvo. Me esvazio e me deixo encher novamente. Assim, minha vida é um constante dar e receber Enquanto isso me desinstalo, saio do meu pequeno mundo e vou ao encontro de outros mundos. Já conheci potes diversos, animais, pessoas, tantas coisas e seres! E cada um me fez perceber ainda mais pote que sou,
- Não sei, se continuar assim, brevemente serás um pote quebrado, gasto e, então, do que adiantará tudo isso?
_ Creio que se me desgasto a cada dia é para ser possível levar a vida a outros seres. Vejo que o mais importante não é ser um pote intacto, tal como fui feito, mas um pode de valor como estou me tornando... Se vou durar pouco tempo não importa, se o pouco que viver tiver sentido, me trouxer alegria e me fizer sentir cada vez mais o que é ser pote. Isto me basta!...
Já era tarde, o sol já havia se escondido quando os dois potes se cansaram de falar. O pote aberto sentindo-se cansado, logo adormeceu, o que não foi possível para o outro pote, ele não conseguia dormir, pois algumas palavras ditas pelo companheiro lhe vinham à mente e não deixam em paz:
Na manhã seguinte um pote acordava e o outro dormia, porque fora grande o seu esforço durante a noite para tirar a tampa que o acompanhava há tanto tempo.

Autor desconhecido

Nenhum comentário:

Postar um comentário