domingo, 12 de setembro de 2010

Viver semeando



O próprio vento ao passar pelas fazendas deixa atrás de si os seus sinais.
As caravanas dos desertos deixam suas marcas e sinais nas areias.

As chuvas caindo deixam atrás de si esperanças semeadas. Sementes germinadas. Flores desabrochadas
O Sol, que passa no firmamento deixa atrás de si: calor, vida, luz e muita alegria.
E eu ? O que estou deixando atrás de mim ?

Não quero deixar apenas os sinais dos meus pés gravados em pedras, no chumbo ou no bronze.

Quero deixar mais do que palavras e lembranças...
Quero deixar minha vida,
meu corpo, minhas idéias, meus planos a serviço de meus irmãos.
Não quero ser uma tempestade que deixou atrás de si mortes,
destroços, sofrimentos, dores e lágrimas.

Quero ser o sol belo, fecundo, claro, cheio de fogo e calor que deixou atrás de si um dia repleto de paz, de amor, de calor de vida e luz.

Não quero ser a ventania levantando poeira, confundindo os peregrinos...
Não quero também atirar pedras em ninguém, nem lama na face de meus irmãos...

Quero passar a vida semeando, fazendo o bem.

Se não deixar obras gravadas em livros, em telas, nem em pedras, deixarei um gesto de amizade, um perdão, uma palavra de paz, um gesto de fé e de esperança.

Se não conseguir ser um artista, nem um pintor
com amor darei um pedaço de pão, um aperto de mão aos necessitados
e minha mensagem terá sido uma semente lançada no mundo.

Direi uma palavra a menos em hora de perturbação.

Direi uma palavra a mais na hora da paz, da felicidade.

Então terei deixado no mundo mais do que uma coleção,
uma galeria de artes e de esculturas.

Terei deixado no mundo esculpido a imagem de alguém que quis amar, que desejou e se esforçou para ser alguém idealista, corajoso e forte.

Serei uma pessoa que passou pelo mundo semeando
Deus em gestos e testemunhos.

Morema T. Soares

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